quinta-feira, 23 de abril de 2009

SAÚDE


“Venci o câncer por amor”

Rosane Costenaro Gomes teve câncer de mama, mas recuperou a saúde com o auxílio da família, amigos e por amor ao filho, Eduardo, enquanto realizava o tratamento médico

FOTOS STÚDIO C

ROSANE, COM O FILHO EDUARDO, NO INÍCIO DO TRATAMENTO CONTRA O CÂNCER DE MAMA



Editoria de SAÚDE

“Quando a gente descobre a doença é muito triste, mas temos que ser forte para enfrentá-la, com o apoio da família e do Espírito Santo de Deus, pois só ele sabe quando é a nossa hora. Mas também temos que fazer o tratamento correto, enfrentando todas as reações que ele causa na nossa vida”, ressalta Rosane Costenaro Gomes, 34 anos. Ela descobriu um nódulo na mama há mais de dois anos, enquanto ainda amamentava seu filho, Eduardo, na época com dois anos de idade.

Ela conta que ao ter descoberto que sofria de câncer de mama, acreditava que não iria agüentar. Fez uma viagem com o marido, João Paulo, e o filho para Maceió, a fim de aproveitar a vida. Porém, ao refletir, percebeu que deveria enfrentar a doença de cabeça erguida. Então, ela começou a quimioterapia em Curitiba, no centro de referência de combate ao câncer, no Estado do Paraná, Hospital Erasto Guetner.

Depois de um ano de tratamento químico, a sócia-proprietária da Banca do Portuga fez a cirurgia de retirada das células cancerígenas com sucesso. Hoje, ela ainda ingere medicamentos, mas em casa, e assim deve continuar pelo período de cinco anos, para evitar a reincidência da doença. “A gente pensa que vai morrer e a primeira sensação é de desespero, mas se não fosse a minha família me ajudar, como a minha irmã Rose Barbierini - que mora em Curitiba -, o amor ao meu filho, e os amigos, talvez eu não estivesse mais aqui”, diz Rosane, ressaltando a importância do apoio e auxílio de outras pessoas.

Ela acredita que foi por isso que não se deixou abater e se manteve firme no tratamento, até mesmo após as aplicações da quimioterapia. Rosane explica que esse processo tem uma carga emocional muito forte, além de cada organismo ter uma reação ao medicamento. O seu reagia com fortes enjôos nos dois primeiros dias após receber a quimioterapia, que esclarece, nada mais é do que um remédio injetado na veia para agrupar todas as células doentes e assim facilitar a remoção do nódulo durante a cirurgia. “O que me deixou bem abalada foi a perda do cabelo e dos pêlos do corpo, que já no primeiro mês do tratamento começaram a cair”.

Hoje, ela entende a importância do auto-exame e alerta a todas as mulheres que um simples toque pode lhes salvar a vida. Rosane acreditava que enquanto estivesse amamentando estaria protegida da possibilidade do câncer de mama e relaxou. Porém, seguida de sua intuição ela decidiu se examinar e se assustou ao perceber um nódulo em um dos seios. A princípio ela pensava se tratar de uma glândula mamária inflamada, mas o diagnóstico exato foi apontado com uma pulsão para coleta da célula, a fim de diagnosticar seu tipo.
“TEMOS QUE SER FORTE PARA COMBATER A DOENÇA E AGRADEÇO MINHA FAMÍLIA PELO APOIO,
ESSENCIAL NO PROCESSO”

Mesmo em tratamento, ela não parou de trabalhar. Atendia diariamente os clientes no empório, zelava pela família e mantinha os cuidados do filho Eduardo, sem se deixar abater. “A doença era só minha, disse meu médico. Então, eu tinha que enfrentá-la da melhor maneira. Continuei trabalhando, vivendo, e me cuidando”, disse a empresária, que mudou até sua alimentação. “Antes eu comia muita bobagem e nenhuma verdura. Agora eu mantenho uma alimentação saudável a base de ingredientes naturais, como chás, folhas verdes, frutas, além de evitar o açúcar”.

Uma consulta na internet lhe indicou o uso de chá de Erva Luiza e Unha de Gato, entre outros, para o combate ao câncer também. Agora, ela se mantém atenta a todas as atitudes e ações que promovam a saúde. Na orientação médica, Rosane, que antes não comia verduras, adicionou a sua mesa, a rúcula, a couve e os brócolis. Diz que está dez quilos acima do seu peso ideal, mas não liga, pois está feliz sem a doença.

Para quem sofre de algum tipo de câncer e está se tratando, a empresária se coloca a disposição para conversas informais sobre a doença, como ponto de apoio.

Câncer, caso de saúde pública

REDE VIDEIRENSE de Combate ao Câncer ajuda a promover a saúde de pessoas com a doença, além de preparar os familiares para o convívio e tratamento de amigos e parentes

FOTO PEDRO SCHAITEL

PRESIDENTE DA REDE VIDEIRENSE DE COMBATE AO CÂNCER

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) é referência nacional de qualidade na área da assistência e desenvolve extenso trabalho nas áreas de prevenção, controle, pesquisa e ensino. Desde o lançamento da Política Nacional de Atenção Oncológica (PNAO), em dezembro de 2005, todo o empenho foi dado na promoção de ações integradas do governo com a sociedade para implementar uma nova política, que reconhece o câncer como problema de saúde pública. Por isso, estrutura a realização das ações para o seu controle no Brasil através de parcerias.

Em Videira, para auxiliar na promoção da saúde e do combate a neoplasia que foi fundada a Rede Videirense de Combate ao Câncer, em 1999. A organização de caráter social e filantrópico funciona junto ao Departamento Social, onde a pessoa faz um cadastro e passa a receber acompanhamento social e encaminhamento clínico quando necessário. De acordo com a sua presidente, Rosa Cristina Dutra Zardo, a Rede tem como objetivo o desenvolvimento de ações que combatam o câncer na sociedade local e ainda incentive o trabalho voluntário na área. “A rede surgiu porque na época, o SUS não concedia tantos auxílios quanto ocorre hoje”, lembra a dirigente.

Dados locais referentes a 2008 apontam que a Rede Videirense atende aproximadamente 160 pessoas. Exatamente, são 95 mulheres, 64 homens e três crianças, segundo informou a presidente da organização. Ela salienta que é difícil ter acesso a dados gerais do município, pois têm muitas pessoas que se tratam por convênio médico, particular ou até mesmo pelo SUS ou fora da região. Portanto, este número diz respeito apenas as pessoas que cadastradas no Departamento Social da Secretaria Municipal de Saúde. Das quase 200 pessoas com câncer e atendidas pela Rede, os casos mais incidentes são de câncer de próstata no homem e o de mama na mulher.

Rosa explica que na prática, a organização atua da seguinte maneira: a pessoa se cadastrada na instituição e recebe a visita da assistente social, onde será verificada a necessidade de receber o beneficio de Amparo Social, orientação quanto os seus direitos sobre PIS, PASEP e FGTS, além de isenção de ICMS para a compra de veículo até. A Rede Videirense de Combate ao Câncer também orienta a pessoa acometida de câncer sobre outros direitos, como os relativos aos planos de saúde e o direito de acompanhante pacientes menores de 18 anos, em caso de internação. A respeito dos medicamentos, em alguns casos, quando a pessoa não consegue remédios específicos pelo Sistema Único de Saúde, a organização busca articular o fornecimento.

Porém, o foco da organização a partir deste ano será atuar no trabalho preventivo. No caso da mulher, a prefeitura dispõem de mamógrafo e ginecologista para atendimento especializado. Para o homem também, pois também existe a disposição na Rede Municipal de Saúde, um urologista. Mas, a presidente da Rede Videirense de Combate ao Câncer alerta a importância das pessoas em fazer o auto-exame e os exames periódicos, sem pré-conceitos.

Rosa tem percebido que o paciente de câncer tem merecido atenção especial do Estado e existe, por meio das instituições, das ONGs que ajudam e dão suporte de acordo com os seus objetivos, ações que visam aliviar a síndrome do câncer. “Às vezes, a família não está preparada para acompanhar o familiar que sofre da doença e esteja se tratando”, comenta a dirigente, salientando também o apoio psicológico quando necessário, e a formação de grupos de apoio. Além do tratamento clínico, os pacientes que necessitam de orientação psicossocial também são encaminhados para acompanhamento, gratuito, por meio do Centro de Atenção Psicossocial - CAPS.

De acordo com pesquisas da presidente da Rede, no Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde, são cerca de um milhão de novos casos de câncer por ano. Já conforme estimativa do Inca para o biênio 2008 e 2009, o Estado de Santa Catarina pode chegar a mais de 18,5 mil casos de câncer em homens e mulheres.

Trabalho Voluntário

A Rede Videirense de Combate ao Câncer atua por meio do trabalho voluntário e pela realização de eventos beneficentes. Neste momento, a instituição está formando a equipe de trabalho, que deverá ser dividida em núcleos, sendo eles de captação de recursos, de recuperação e reciclagem de roupas, de acompanhamento e apoio social, entre outros. Quem tiver interessado em realizar alguma atividade voluntária pode procurar o Departamento Social da Prefeitura de Videira. Após esta primeira etapa estar concluída, será realizado o planejamento anual da Rede para este ano.

Câncer de Mama

De acordo com estimativa do Instituto Nacional do Câncer, o número de casos novos de câncer de mama esperados para o Brasil no ano passado 2008 foi de 49.400, com um risco estimado de 51 casos a cada 100 mil mulheres. Na região Sudeste, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres com um risco estimado de 68 casos novos por 100 mil. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, este tipo de câncer também é o mais freqüente nas mulheres das Regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste. Na região Norte é o segundo tumor mais incidente.

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais freqüente no mundo e o mais comum entre as mulheres. A cada ano, em torno de 22% dos casos novos de câncer em mulheres são de mama.

Câncer de Próstata

O número de casos novos de câncer de próstata estimados para o Brasil no ano de 2008 é de 49.530. Estes valores correspondem a um risco estimado de 52 casos novos a cada 100 mil homens Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o mais freqüente em todas as regiões com risco estimado de 69 por 100 mil habitantes na Região Sul, de acordo estudos do Inca. Em termos de valores absolutos, o câncer de próstata é o sexto tipo de câncer mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de câncer. As taxas de incidência deste tipo de câncer são cerca de seis vezes maiores nos países desenvolvidos comparados aos países em desenvolvimento.

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Veículo: JORNAL CORREIO
Cidade: VIDEIRA/SC
Data da Publicação: 9 de abril de 2009


Um comentário:

  1. Engraçado que com a saúde, assim como tudo de bom na vida, se passa o mesmo que se paça com as fontes: a gente só dá valor depois que acaba.
    Bonita redação. Amei.
    Não basta dar Graças à Deus por ter saúde, tem que se cuidar, fazer os exames em dia e tudo o mais que for necessário, caso aconteça o pior...
    Au revoir, ma petite amie...
    Hakim.

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