quarta-feira, 27 de maio de 2009

Jornalismo marrom: Ela foi salva pelos air bags


Falarei agora sobre as cores do jornalismo. Melhor, sobre uma possível fonte de notícias populares, citando um exemplo, pois, para os colegas ou profissionais da comunicação não estaria trazendo nenhuma novidade. Na verdade, seja no jornalismo ético ou no amarelo/marrom, o povo sempre serviu de fonte de informação ou pelo menos de indicativo dela. Afinal, sempre tem um bicudo querendo ser o centro das atenções.

Pois então, o jornalismo tem cor. Sim, até esta atividade é rotulada em tons e cores. São eles o jornalismo amarelo e o marrom. Ambos tratam de assuntos sensacionalistas, inverídicos até, mas possuem origens levemente diferenciadas.

Não irei explanar aqui sobre cada uma das formas e seus nascimentos. Procurei links onde os menos conhecedores poderão ter uma noção do assunto (Para quem não é formado e nem jornalista de carreira, imagina entrar no mercado de trabalho sem informações que a academia proporciona? Depois dizem que o diploma/faculdade não serve para nada). Vou direto ao que me remeteu ao jornalismo marrom.

Estava eu nesta terça-feira (26) aguardando atendimento na padaria próxima aqui de casa. Mais precisamente ao lado das funerárias e em frente ao Hospital Salvatoriano Divino Salvador. Meu interesse no local era de adquirir dois pãezinhos de polvilho doce a fim de terminar o trajeto até o lar, distraindo-me mastigando algo. Uma eficiente distração, aliás, já que aqueles pães aos poucos vão grudando nos dentes e no céu da boca.

Porém, acabei subindo a lomba sem o “petisco”. Não tive paciência para esperar que um senhor terminasse de narrar o acidente que a esposa de um figurão de Videira havia sofrido numa comunidade em Iomerê, cidade vizinha com menos de dois mil habitantes.

“...Ela foi salva pelos air bags [pausa para tentar ilustrar a cena: Estava o senhor, perfil de colono, portanto, sotaque também de uma pessoa de origem italiana, com as duas mãos apontando para as próprias mamas]. O corpo da mulher ficou num espacinho assim ó?! O resto do carro [não lembro a marca] foi todo imprensado e ela só sobreviveu por causa dos air bags [risos do senhor]...”

A única balconista que atendia no momento estava com os produtos embalados e a soma do consumo prontos. Mas o senhor não dava pausa no assunto. Uma jovem cliente fazia de um pacote de salgadinhos a base de milho e um refrigerante, seu lanche da tarde. Porém, dava para perceber seu êxtase ao acompanhar a história do cidadão. Faltou pouco para perguntar-lhe se havia testemunhado o acidente. Provavelmente não... Eles nunca vêem ou ouçam nada.
Preocupada com uma matéria que havia caído, decidi rumar para casa. Ah, seria tão mais fácil trabalhar para um jornal com abordagem sensacionalista, sem compromisso com os fatos, realidade e até a verdade... Nunca me faltariam matérias. Nunca! Hoje, por exemplo, a socialite já seria capa do jornal, onde a manchete seria algo como:



EXTRA
Peitos de mulher barbeira evitam sua morte ao volante


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