sexta-feira, 22 de maio de 2009

Em quem me espelho?


Chega um momento da vida profissional em que não precisaremos mais procurar ícones do jornalismo para se espelhar. É que quando se alcança um nível de desenvolvimento tão qualitativo, que se passa ser referência ao invés de buscá-las. Eu acredito nisso tanto quanto acredito no jornalismo, porém, estou longe desse nível ainda.

No momento procuro pessoas com conhecimento superior a mim, com mais experiência, com qualidade textual, técnica nas diversas mídias. Sejam elas tradicionais ou contemporâneas. Preciso ter um jornalista a quem eu possa me referenciar, trocar diálogo, idéias, elucidar dúvidas e expor minhas experiências e aprendizados diários. Só que no momento estou sozinha por aqui.

É muito difícil fazer a autocrítica, se autoavaliar, fazer as correções, ver os vícios de linguagem e ainda se atualizar quando não há a quem buscar apoio. É vergonhoso, eu sei, mas há algumas semanas cometi um erro tão grave, que se fosse o editor me demitiria por justa causa. Depois de revisar várias vezes, ter a noção de que havia algo errado e não enxergar, ignorei a suspeita e deixei passar uma chamada de capa com um erro de linguagem, um equívoco, um erro de informação, tudo junto reunido.

Não repetirei a falha aqui, por que esses momentos têm que se torcer para que ninguém perceba e comente contigo e com a chefia. Acordar no dia seguinte para ver o ato falho estampado na capa do jornal e saber que tu mesmo foi o autor daquela grafia é terrível. Pior ainda é dormir sabendo que cometeu um erro que não sabe qual era. Tive que refrescar a mente por algumas horas para ver a informação errada, mas então já era tarde. Confesso que foi um aprendizado a duras penas, que deve ficar escondido no currículo.

Agora mais do que nunca me volto para a internet para me atualizar. Policio-me com maior ênfase, mas confesso que deixei de fazer as manchetes. Tenho medo... Ficar longe dos grandes centros também significa não poder “apalpar o conhecimento físico”. É o ônus de se morar numa comunidade menor ao qual se foi formada, educada e estava habituada, em prol da vivência profissional em veículo.

Obviamente que tem seus benefícios e não nego a oportunidade. Mas quando se começa a cometer erros graves creio que é chegada a hora de se pensar em aperfeiçoamento. Isso é salutar para ambos os lados envolvidos. Empregado e empregador. Aliás, para os três lados já que tem o leitor também na história. E ele não é burro, pelo contrário, é tão ou mais esperto que nós, que escrevemos “o jornal de ontem com notícias de anteontem”, com canta Frejat em Fúria e Folia. Quando não se está formado 100%, não se pode perder o modelo ao qual se espelhar.

* * *
Fúria E Folia

Me chamo vento, me chamo vento
Passeando pela cidade destruída
bombas foram lançadas e tudo reduzido a pó
Na praça aberta sou um colar de livres pensamentos...
quem quer comprar o jornal de ontem
Com notícias de anteontem?
Me chamo vento...
Me chamo vento...
Me Chamo vento
Nada sei apenas vivo a parambular
uns trabalham por dinheiro
outros por livre e espontânea vontade
Eu trabalho para o nada espalhando pelo chão
sou solidão a dançar com a língua no formigueiro
Ando, ando, ando sem parar
na poeira dos fatos nas transparências
Viver é furia e folia, rumo ao mágico
Me chamo vento, me chamo vento
Passeando pela cidade destruída
bombas foram lançadas e tudo reduzido a pó
Na praça aberta sou um colar de livres pensamentos
sou solidão a dançar
Com a linguagem no formigueiro...
Viver é furia e folia, rumo ao mágico

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