quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Rijab, o véu das muçulmanas




Acessório faz parte das vestimentas da mulher que segue o modo de vida islã e serve para evitar a luxúria masculina

ELAINE BARCELLOS DE ARAÚJO
Jornal Correio de Videira


Madiha Kamal Eldin é egípcia, não fala português e está em Videira a trabalho. Ela é médica veterinária e faz o acompanhamento do processo de abate da carne que será exportada para o seu país. O procedimento tem que seguir os preceitos do islamismo, que orienta o comportamento e o modo dos muçulmanos. Como a mulher, que também seguem os encaminhamentos islâmicos. Madiha, independente do país que esteja, faz uso do véu - o rijab. Com ele, não deixa a mostra o seu corpo, evitando assim a luxúria nos homens.

O rijab, véu que cobre a cabeça da muçulmana, deixa a mostra apenas o rosto. A peça faz parte da vestimenta da mulher que é orientada desde pequena a evitar roupas justas e transparentes. Apenas mãos e rosto podem ficar descobertos quando ela estiver em público ou na presença de pessoas estranhas. Para as filhas de Allah ficarem a vontade, apenas perante a família (marido, filhos, pais, sobrinhos e sogros) e de empregadas domésticas. As exceções também compreendem crianças do sexo masculino até a puberdade, quando ainda não possuem consciência da nudez, ou na terceira idade.

O guia religioso explica que o rijab e as regras de pudor para a mulher da comunidade não faz parte apenas da orientação religiosa, mas de algo mais amplo, como uma conduta de vida. Abdullah Buanamade explica que tanto o homem quanto a mulher devem manter suas intimidades cobertas. No caso do muçulmano, ele não deve expor do umbigo até os joelhos, por exemplo. “O islamismo não se limita a apenas rituais religiosos. É mais do que isso, é um código de vida para nós”, ressalta ele, que ainda complementa informando que o islã lamenta a exibição do corpo feminino para agradar ou atrair homens estranhos.

O seguidor de Allah percebe que as pessoas que desconhecem o modo de vida deles, vêem este modo de vida com receios. Mas ele lembra que o uso do véu é um hábito antigo, milenar. “Ninguém pode dizer que viu o físico de nossa senhora”, recorda ele sobre a imagem da mãe de Deus já propagada sob o véu.

O uso do rijab surgiu entre os muçulmanos com o movimento sionista, que tinha o nudismo da mulher como meio da destruição humana, da cobiça e luxúria. Eles acreditam que a exibição da forma física feminina sob roupas justas ou transparentes vai de encontro a natureza da mulher, da sua honra e dignidade.

Foto Google

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

'Copia e cola' de releases


pode gerar processo por dano moral

"Copia e cola" de releases é algo conhecido pelos jornalistas, mas pior ainda quando a notícia é publicada com o crédito indevido. Foi o que aconteceu com a jornalista Claudia Yoscimoto, que teve uma matéria publicada na íntegra em um site, assinada por outro profissional. Mais que antiética, essa atitude é ilegal e pode gerar processos por danos morais.

Na época, Claudia fazia um trabalho para o então prefeito de Mogi das Cruzes (SP), Junji Abe. A jornalista acompanhou a visita do prefeito ao Japão e divulgou o fato aos órgãos de imprensa brasileiros no país e à assessoria de imprensa da prefeitura. O caso aconteceu em 2007, mas Claudia só se deu conta quando fez uma busca pelos textos para incluir em seu portifólio. “Foi a primeira vez que isso aconteceu comigo. Quando se muda alguma coisa, tudo bem, mas dar crédito para outra pessoa, isso foi antiético”.

Para o presidente da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais (Apijor), Frederico Ghedini, apesar das assessorias de imprensa terem suas particularidades, os profissionais que atuam nessa área podem reclamar seus direitos. “Ninguém pode colocar o nome em um texto que não foi ele quem fez. Isso pode suscitar uma ação por danos morais. É uma questão de direito autoral”, explica.

Outros problemas
A jornalista Paula Batista, sócia da Lide Multimidia, agência de comunicação com sede no Paraná, conta que o fato é comum. “Isso acontece bastante, de colocar o nome do jornalista do veículo, quando não usam o assessor como fonte, aspas na matéria. Mas não há muito o que fazer, porque geralmente ficamos sabendo muito tempo depois da publicação, e lidamos com um universo muito grande de jornalistas, alguns mais conhecidos, outros não”.

Paula considera esse tipo de situação constrangedora para explicar para o cliente e adota algumas medidas para coibir a apropriação dos textos da assessoria. “Queremos que os clientes sejam divulgados na imprensa, mas quando acontece essas coisas acabamos restringindo, evitando de pautar o veículo. Outra opção é fazer o follow-up, para inibir e permitir que o jornalista fale com o porta-voz”, afirma.

A jornalista relata um dos episódios que ela diz acontecer com frequência. “Quando fiz um trabalho para uma ONG, enviei um release. Quando fui ver, o texto havia sido publicado na íntegra em uma página inteira de um jornal”, relembra Paula, que enfatiza que fatos como esse acontecem principalmente em veículos pequenos, mas há exceções. “Isso já aconteceu na extinta Gazeta Mercantil, publicaram um release nosso, acrescentaram apenas um olho”, conta.

Para a advogada da Apijor, Dra. Silvia Neli, casos como estes são comuns. “Um dos mais recentes que me lembro foi o caso da publicação de uma foto como ‘divulgação’ na Folha. A foto foi enviada por uma assessoria. Ganhamos em primeira instância, mas a Folha está recorrendo”.Silvia afirma que é essencial os jornalistas estarem atentos aos direitos autorais. “É importante ter essa atenção, o que não é uma prática no mercado, porque a qualquer momento uma pessoa pode requerer seu direito”, conclui.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ACHISMOS: Ponha a tranca para bloquear o Minuano


Ele não pede licença para entrar. Na verdade, seu uivar é o prenúncio de sua chegada nos pampas gaúchos. Até mesmo para mim, que venho do estado vizinho, não me acostumo com o vento minuano, ou simplesmente minuano. É assim que chamamos a corrente de ar frio, mas muito frio, que acomete o Rio Grande do Sul e, inclusive, a região sul do estado de catarinense. Esse é o nome desse vento de origem polar.

Como guria da cidade fica difícil suportar o ar cortante que surge após a passagem das frentes frias de outono e do inverno. Nos grandes centros há muito concreto transformado em edificações gigantescas, que acabam dispersando grandes ventanias. Mas, nos pampas, planalto ou lugares descampados, me parece que ele é livre. Corre tão solto e forte que só ouvimos portas e janelas batendo. Imagino que é nesse momento que as várias Marias saem correndo para por a tranca em portas e janelas, na esperança de bloquear o Minuano.

Não sabia. Mas essa denominação é emprestada de um grupo indígena que habitava os campos do sul do estado gaúcho. Esse povo devia estar muito acostumado com as intempéries. Ao contrário de nós daqui, de regiões como Meio Oeste, Oeste e Extremo Oeste, que há alguns dias tivemos um visitante inoportuno, também invasor. Mais que isso: destruidor.

Os índios Minuanos, de origem patagônica, de certo, de tão habituados cederam sua nomenclatura ao vento forte e frio que sopra depois das chuvas de inverno nos vizinhos. Ao certo mesmo, talvez, somente os livros poderão nos dizer. Já nós, aqui da “bela e Santa Catarina”, não queremos mais provar de um fenômeno natural, como o tornado que passou pela região na madrugada de 8 de setembro.

A ele, este redemoinho de vento destruidor, ninguém quererá sequer apelidar, quem dirá emprestar ou batizar com seu nome.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

redes sociais


Especialistas divergem sobre restrições no uso de redes sociais por jornalistas

As recentes normas adotadas pela Folha de S.Paulo e TV Globo no uso de redes sociais por seus jornalistas causam polêmica. Na última semana, os dois veículos divulgaram, em comunicados internos, regras para o uso de blogs, Twitter, e outras redes sociais.

A Folha determinou que seus profissionais sigam os princípios do projeto editorial, "evitando assumir campanhas e posicionamentos partidários". O veículo também exige que os jornalistas não divulguem conteúdos de colunas e reportagens exclusivas, restritos a assinantes, na rede. A TV Globo também estabeleceu normas semelhantes aos seus funcionários, vedando a divulgação de informações institucionais e o uso de redes sociais vinculadas a outros veículos de comunicação sem prévia autorização da emissora.

O que é visto como um cerceamento da liberdade de expressão para uns, é visto como uma questão ética por outros. Bruno Rodrigues, especialista em mídias digitais, concorda com a medida adotada pelos veículos. "Esse comportamento faz parte do trabalho profissional. Discordo quando dizem que é uma forma de limitar a liberdade de expressão. Quando um jornalista cobre algum assunto para a Folha, por exemplo, o jornal tem total direito nesse caso. Se for um trabalho particular, uma investigação própria, aí é outra coisa".

O professor de pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero, pós-doutorado em comunicação e Tecnologia, Walter Teixeira Lima Júnior, acredita que o caso seja algo muito novo e analisa o ponto de vista das empresas e dos jornalistas. "Tudo o que você vai falar vai para o bem ou para o mal da empresa. A preocupação do veículo é que eles têm concorrentes. Tudo isso é muito novo, tanto jornalistas como empresas estão aprendendo como conviver".

Apesar de enxergar as razões das empresas, Lima acredita que o jornalista também tem voz fora do veículo e o direito de expressar sua opinião fora de seu período de trabalho, mesmo de um assunto que tenha coberto. "Os veículos não podem limitar a liberdade do individuo. É como no passado, o jornalista escrevia a matéria, saía da redação e depois ia às ruas, era ativista", conclui o jornalista, que enfatiza que o profissional também deve ter responsabilidade sobre o que fala.

domingo, 13 de setembro de 2009

Seu trabalho ou opinião pessoal, a quem pertence?



Na última semana, dois grupos da área de comunicação restringiram a participação dos seus funcionários em redes sociais na Internet. O uso de Blogues, Twitter, Orkut e assemelhados serão regulados pela TV Globo e pela Folha. Na primeira empresa, a medida atinge tanto artistas, como jornalistas e outros profissionais da emissora. Na outra, os jornalistas foram recomendados a não se posicionarem quanto a questões políticas ou partidárias, além de terem sido vedados a reproduzir conteúdo exclusivo ao Jornal Folha de São Paulo.

Fico pensando: a vida virtual a quem pertence? E o trabalho de um profissional? Ao que entendo, a problemática vai além dos direitos autorais e a formação de opinião. Mesmo assim, as medidas adotadas pelas duas empresas só faz aumentar a confusão que as pessoas fazem em relação a vida pública, profissional e privada de cada pessoa que atua na mídia.

Em cada uma das empresas, os contratados receberam um comunicado interno. A administração da tevê disse na nota que “A divulgação e ou comentários sobre temas/informações direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Rede Globo; ao mercado de mídia e ao nosso ambiente regulatório, ou qualquer outra informação/conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Rede Globo são vedados, independentemente da plataforma adotada, salvo expressamente autorizada pela empresa”.

No jornal, o comunicado diz que os jornalistas que quiserem citar alguma matéria exclusiva poderão fazer referência ao material, publicando o link para o acesso do conteúdo na íntegra. “Não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha”, explica o texto.

Até acredito que deva haver regras, mas daí impedir que o autor e responsável por seu trabalho não possa comentar ou emitir opinião sobre a cobertura de um fato, sem pedir autorização prévia, é uma atitude extremista. Dessa forma, é difícil as pessoas aprenderem a separar o pessoal do profissional. E a liberdade de expressão de cada um, onde fica? A opinião? O que deve ser estabelecido são definições a respeito de direito autoral e comportamento, para que não comprometimento do empregador pela atitude de seus funcionários. O resto é por conta de cada um. E tenho dito!
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terça-feira, 8 de setembro de 2009

ACHISMOS 2


No fim,
a ciência supera a decepção


Costumava acreditar em muitas coisas que via ou ouvia, aliás, até hoje acredito. Na verdade, eu creio nas pessoas, no ser humano. Porém, na fase infanto-juvenil era muito influenciável. Principalmente pelos desenhos animados e foi um deles que me levou a decepção tecnológica.

A babá eletrônica era a alegria das mães donas de casa, que hora e outra precisavam se dedicar a alguma tarefa, integralmente. Para distrair os filhos, nada mais indicado do que a programação televisiva. E lá estava eu, frente ao aparelho, assistindo a uma série de desenhos, cujo favorito era Os Jetsons.

Esse programa era uma série animada de televisão produzida pela Hanna Barbera, de 1962 a 1963. Os episódios eram exibidos no Brasil pela antiga TV Excelsior, mas eu não “peguei” essa fase. Fui assistir mais de 20 anos depois, entre 1985 e 1987, pelo SBT. Essa série introduziu no imaginário da maioria das pessoas o que seria o futuro da humanidade.

Claro, que comigo não foi diferente e aos 11 anos de idade estava eu me imaginando andando de carros voadores ou indo para a faculdade num ônibus espacial. Obviamente que também morava numa cidade suspensa, minha família tinha postos de trabalho automatizados. Na minha ilusão, viveria numa casa que possuia toda a sorte de aparelhos eletrodomésticos e de entretenimento, como criados robôs. Teria até um cachorro, como o cão do futuro dos Jetsons, que se chamava Astor. Mas logo cresci e cai na real.

Em 1992, quando ingressei na universidade, meu meio de transporte continuava firmemente ligado ao chão. A máquina de datilografia manual continua nas redações do curso de Comunicação Social e o acesso a internet ainda não havia se disseminado entre os universitários. Naquela época, o mais próximo da tecnologia era o passe integrado utilizado no ônibus e no trem (metrô é outra coisa) e vice-versa.

Os anos passaram e aprendi que a tecnologia é lenta, porque os estudos são sérios. Que o investimento no processo é caro e de difícil acesso da maioria dos cidadãos de um país terceiro mundista. Que nos falta ainda subsídios básicos, infra-estrutura e ainda vivemos sob a ameaça da escassez de recursos naturais.

Mesmo assim, mediante essa decepção tecnológica, chego a ficar contente com os avanços na Saúde, quando cientistas apontam a descoberta de uma possível vacina contra o vírus HIV. Com essa notícia, obviamente até esqueço que ainda não moro numa casa inteligente (informatizada).

ACHISMOS é o nome destinado ao espaço onde minhas crônicas são publicadas, semanalmente, no Jornal Correio de Videira. Todas as quartas-feiras. Hoje, ela veio de antemão pra vocês.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Agora na versão cronista

Não sei se funcionava desse jeito para os escritores e jornalistas, mas ter um espaço num veículo impresso para poder prosear com o leitor é muito prazeroso. Já usufruía de uma página, aos sábados, para publicar notas, comentários, informações do cotidiano e sobre a região, homenagens. Agora, publico também uma crônica semanal, nas edições de quarta.

A primeira foi uma adaptação de um post aqui do blogue. "Ela foi salva pelo air bag" nasceu aqui mesmo, em Videira. É crônica baseada numa conversa de padaria, onde era, digamos, uma ouvinte ocular. Confira!

ACHISMOS
Ela foi salva pelos “air bags”

Não há melhor fonte de informação do que o povo. Sempre há um fato relevante e verdadeiro na “voz de Deus”. Claro que entre tantos blá, blá, blás, muito coisa tem que ser descartada por se tratar de achismos. Porém, bem no fundo há um ponto de verdade.

Há algum tempo atrás, comprava pães numa padaria da cidade e enquanto esperava por atendimento ouvia a conversa de um cidadão com outro, que estava sendo servido. Logo, pelo caminho da conversa, lembrei que de boca em boca, cada um que conta aumenta um ponto. Eles falavam sobre um acidente de trânsito, sem gravidade, que havia acontecido numa via de acesso ao interior de Iomerê. “Ela foi salva pelo air bags”, disse o senhor apontando para as próprias mamas.

A cena me remeteu a manchete de algum jornal carioca, cujo foco é o jornalismo marrom; aqueles impressos que trazem notícias populares e inverídicas. O homem continuou narrando o fato a outra pessoa, que nessa altura do campeonato já era amigo. “O corpo da mulher ficou num espacinho assim ó? O carro ficou todo imprensado e ela só sobreviveu por causa dos air bags...”
A única balconista que atendia no momento estava com os produtos embalados e a soma do consumo calculada. Mas o senhor não dava pausa no assunto. Uma jovem cliente fazia de um pacote de salgadinhos e um refrigerante, seu lanche da tarde. Porém, dava para perceber seu êxtase ao acompanhar a história do cidadão. Faltou pouco para perguntar-lhe se havia testemunhado o acidente. Provavelmente não... Eles nunca vêem ou ouvem nada.

Lembrei de novo da abordagem sensacionalista que compõe as páginas de jornais sem compromisso com os fatos, realidade e até a verdade. No jornalismo marrom nunca faltam matérias. Nunca! No outro dia, por exemplo, esta mesma mulher vítima de um acidente de trânsito com danos materiais somente, já seria capa de algum impresso sem critérios, ainda mais na sociedade machista ao qual vivemos. Nele, a manchete seria algo como: “Peitos de mulher barbeira evitam sua morte ao volante”.