terça-feira, 8 de setembro de 2009

ACHISMOS 2


No fim,
a ciência supera a decepção


Costumava acreditar em muitas coisas que via ou ouvia, aliás, até hoje acredito. Na verdade, eu creio nas pessoas, no ser humano. Porém, na fase infanto-juvenil era muito influenciável. Principalmente pelos desenhos animados e foi um deles que me levou a decepção tecnológica.

A babá eletrônica era a alegria das mães donas de casa, que hora e outra precisavam se dedicar a alguma tarefa, integralmente. Para distrair os filhos, nada mais indicado do que a programação televisiva. E lá estava eu, frente ao aparelho, assistindo a uma série de desenhos, cujo favorito era Os Jetsons.

Esse programa era uma série animada de televisão produzida pela Hanna Barbera, de 1962 a 1963. Os episódios eram exibidos no Brasil pela antiga TV Excelsior, mas eu não “peguei” essa fase. Fui assistir mais de 20 anos depois, entre 1985 e 1987, pelo SBT. Essa série introduziu no imaginário da maioria das pessoas o que seria o futuro da humanidade.

Claro, que comigo não foi diferente e aos 11 anos de idade estava eu me imaginando andando de carros voadores ou indo para a faculdade num ônibus espacial. Obviamente que também morava numa cidade suspensa, minha família tinha postos de trabalho automatizados. Na minha ilusão, viveria numa casa que possuia toda a sorte de aparelhos eletrodomésticos e de entretenimento, como criados robôs. Teria até um cachorro, como o cão do futuro dos Jetsons, que se chamava Astor. Mas logo cresci e cai na real.

Em 1992, quando ingressei na universidade, meu meio de transporte continuava firmemente ligado ao chão. A máquina de datilografia manual continua nas redações do curso de Comunicação Social e o acesso a internet ainda não havia se disseminado entre os universitários. Naquela época, o mais próximo da tecnologia era o passe integrado utilizado no ônibus e no trem (metrô é outra coisa) e vice-versa.

Os anos passaram e aprendi que a tecnologia é lenta, porque os estudos são sérios. Que o investimento no processo é caro e de difícil acesso da maioria dos cidadãos de um país terceiro mundista. Que nos falta ainda subsídios básicos, infra-estrutura e ainda vivemos sob a ameaça da escassez de recursos naturais.

Mesmo assim, mediante essa decepção tecnológica, chego a ficar contente com os avanços na Saúde, quando cientistas apontam a descoberta de uma possível vacina contra o vírus HIV. Com essa notícia, obviamente até esqueço que ainda não moro numa casa inteligente (informatizada).

ACHISMOS é o nome destinado ao espaço onde minhas crônicas são publicadas, semanalmente, no Jornal Correio de Videira. Todas as quartas-feiras. Hoje, ela veio de antemão pra vocês.

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