quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ACHISMOS: Ponha a tranca para bloquear o Minuano


Ele não pede licença para entrar. Na verdade, seu uivar é o prenúncio de sua chegada nos pampas gaúchos. Até mesmo para mim, que venho do estado vizinho, não me acostumo com o vento minuano, ou simplesmente minuano. É assim que chamamos a corrente de ar frio, mas muito frio, que acomete o Rio Grande do Sul e, inclusive, a região sul do estado de catarinense. Esse é o nome desse vento de origem polar.

Como guria da cidade fica difícil suportar o ar cortante que surge após a passagem das frentes frias de outono e do inverno. Nos grandes centros há muito concreto transformado em edificações gigantescas, que acabam dispersando grandes ventanias. Mas, nos pampas, planalto ou lugares descampados, me parece que ele é livre. Corre tão solto e forte que só ouvimos portas e janelas batendo. Imagino que é nesse momento que as várias Marias saem correndo para por a tranca em portas e janelas, na esperança de bloquear o Minuano.

Não sabia. Mas essa denominação é emprestada de um grupo indígena que habitava os campos do sul do estado gaúcho. Esse povo devia estar muito acostumado com as intempéries. Ao contrário de nós daqui, de regiões como Meio Oeste, Oeste e Extremo Oeste, que há alguns dias tivemos um visitante inoportuno, também invasor. Mais que isso: destruidor.

Os índios Minuanos, de origem patagônica, de certo, de tão habituados cederam sua nomenclatura ao vento forte e frio que sopra depois das chuvas de inverno nos vizinhos. Ao certo mesmo, talvez, somente os livros poderão nos dizer. Já nós, aqui da “bela e Santa Catarina”, não queremos mais provar de um fenômeno natural, como o tornado que passou pela região na madrugada de 8 de setembro.

A ele, este redemoinho de vento destruidor, ninguém quererá sequer apelidar, quem dirá emprestar ou batizar com seu nome.

Um comentário:

  1. Parece coisa de cinema esses ventos fortes aqui do Sul. E o mais impressionante é que as tempestades podem arrasar um lugar e outros não... eu, por exemplo, só vi chuva aqui em Francisco Beltrão, quase na divisa do Paraná com santa Catarina... mas, em cidades de lá, bem próximas daqui, tem gente que perdeu até a casa que tinha...

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