quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Agora na versão cronista

Não sei se funcionava desse jeito para os escritores e jornalistas, mas ter um espaço num veículo impresso para poder prosear com o leitor é muito prazeroso. Já usufruía de uma página, aos sábados, para publicar notas, comentários, informações do cotidiano e sobre a região, homenagens. Agora, publico também uma crônica semanal, nas edições de quarta.

A primeira foi uma adaptação de um post aqui do blogue. "Ela foi salva pelo air bag" nasceu aqui mesmo, em Videira. É crônica baseada numa conversa de padaria, onde era, digamos, uma ouvinte ocular. Confira!

ACHISMOS
Ela foi salva pelos “air bags”

Não há melhor fonte de informação do que o povo. Sempre há um fato relevante e verdadeiro na “voz de Deus”. Claro que entre tantos blá, blá, blás, muito coisa tem que ser descartada por se tratar de achismos. Porém, bem no fundo há um ponto de verdade.

Há algum tempo atrás, comprava pães numa padaria da cidade e enquanto esperava por atendimento ouvia a conversa de um cidadão com outro, que estava sendo servido. Logo, pelo caminho da conversa, lembrei que de boca em boca, cada um que conta aumenta um ponto. Eles falavam sobre um acidente de trânsito, sem gravidade, que havia acontecido numa via de acesso ao interior de Iomerê. “Ela foi salva pelo air bags”, disse o senhor apontando para as próprias mamas.

A cena me remeteu a manchete de algum jornal carioca, cujo foco é o jornalismo marrom; aqueles impressos que trazem notícias populares e inverídicas. O homem continuou narrando o fato a outra pessoa, que nessa altura do campeonato já era amigo. “O corpo da mulher ficou num espacinho assim ó? O carro ficou todo imprensado e ela só sobreviveu por causa dos air bags...”
A única balconista que atendia no momento estava com os produtos embalados e a soma do consumo calculada. Mas o senhor não dava pausa no assunto. Uma jovem cliente fazia de um pacote de salgadinhos e um refrigerante, seu lanche da tarde. Porém, dava para perceber seu êxtase ao acompanhar a história do cidadão. Faltou pouco para perguntar-lhe se havia testemunhado o acidente. Provavelmente não... Eles nunca vêem ou ouvem nada.

Lembrei de novo da abordagem sensacionalista que compõe as páginas de jornais sem compromisso com os fatos, realidade e até a verdade. No jornalismo marrom nunca faltam matérias. Nunca! No outro dia, por exemplo, esta mesma mulher vítima de um acidente de trânsito com danos materiais somente, já seria capa de algum impresso sem critérios, ainda mais na sociedade machista ao qual vivemos. Nele, a manchete seria algo como: “Peitos de mulher barbeira evitam sua morte ao volante”.

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