segunda-feira, 16 de novembro de 2009

As dores do Mundo no infinito particular


Tem repórter que gosta de fazer matérias para a Editoria de Polícia. Eu não. Não do jeito de agora, embora não saiba se existe outra forma. Mas penso que nessa editoria, o jornalismo investigativo deixaria de ser latente, para se tornar onipresente. O que faço é relatar e retratar os fatos acontecidos, sob a versão oficial ou, então, sob a versão alternativa.

Minha curiosidade inicial era sobre o cotidiano de um repórter policial nas delegacias. Porém, por aqui o trabalho é tosco. Isso porque as fontes oficiais não mantêm um relacionamento fiel, aberto e bem disposto com a imprensa local. Essa falta de confiança - e também de respeito com o trabalho jornalístico - acaba prejudicando o cotidiano tanto de um, quanto de outro. Cria inimizades e desconfiança. É chato...

Outro problema é quando abordo famílias vítimas de tragédias ou de homicidas. Se sente as dores do Mundo num infinito particular que não é seu e que só pediu para entrar por uns poucos minutos. Tempo suficiente para temer a morte ou para repensar a vida. E para questionar: “Com que direito?...”

Em outros momentos fico chocada com o descaso pela vida. Quando familiares ou amigos convivem tanto com a miséria, o desleixo, os problemas sociais, que perder um ente é só mais uma possibilidade viável. Que perder alguém assassinado ou por overdose é só mais um na estatística. Triste. Nisso, só me resta os exageros do melodrama, para não ser mais uma a banalizar a vida, desta vez na página de jornal.

Será?!

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