domingo, 8 de novembro de 2009

Com a boca no trombone, mas sem dizer o nome



Todo mundo tem alguma denuncia ou reclamação para fazer. Mas ninguém nunca quer assumir a responsabilidade pela reivindicação. Querem que o jornalista seja o seu porta-voz e arque com todas as consequências. Pois bem, vou por a boca no trombone aqui.

Eu, Elaine, cidadã, tenho todo direito de buscar meus direitos sociais, legais, do consumidor, políticos e tudo mais que me diga respeito, sem que ofenda ou desrespeite o próximo. Mas, daí, eu, jornalista, ter que fazer isso para os outros como se fosse meu papel social profissional? Ah, isso não!

Pois isso acontece cotidianamente na vida dessa periodista aqui. As pessoas ligam e já saem relatando seus problemas, como se fosse só isso, para virar notícia ou página de jornal no dia seguinte.

- Alô?
- Quem? [Sim, nem um “quem está falando por favor”...]
- Elaine...
- Tu trabalhas no jornal né?
- Sim.
- Eu tenho uma denúncia pra fazer. Um furo de reportagem. Interessa-te?

Claro que me interesso. Denúncias sempre são bons assuntos para matérias, desde que, quando os dados são apurados, eles se confirmem e tenham alguma relevância. É aí que entra o problema. Na hora de averiguar os fatos, ninguém nunca quer falar por medo de represálias, principalmente quando se trata de um órgão público.

- Mas tem que aparecer meu nome?

Isso já assusta o interlocutor, mas é preciso. Defender o anonimato da fonte não é para qualquer um ou qualquer denunciazinha. Não arrisco minha credibilidade por pouca coisa não.

Eu tenho que conferir se a queixa é verdadeira ou não. Também tenho que dar o direito ao denunciado de contar a sua versão. Além de buscar os meios, métodos, ou procedimento correto ou tradicional sobre o fato. O que deveria ter sido e não foi.

Mas quem quer dizer que está sendo enganado, mesmo com razão? Ninguém. Preferem, então, não relatar o caso. E quando, depois de convencidos de que não irão sofrer ameaças, represálias, retaliação, voltam a tremer quando pego a máquina fotográfica. Foto? Não!

- Melhor deixar assim...

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