quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Pulseiras do sexo ganham adeptos em Videira


Jovens aderem à moda dos braceletes coloridos, muitos sem saber de seu significado erótico. Na cor preta, a pulseirinha de silicone tanto pode manter sua inocência, quanto ter outro significado – sexo

FOTOS ELAINE BARCELLOS

Jovens usam braceletes como acessórios,
sem se importar com o significado das cores


ELAINE BARCELLOS
Jornal CORREIO DE VIDEIRA


Elas existem há anos. Os braceletes de silicone, coloridos, usados há gerações pelas meninas, este ano voltaram à moda, mas desta vez com outra conotação. São pulseiras comuns, que qualquer menina, e agora até os meninos, usa para ir ao colégio. Elas têm cores vibrantes e podem ter significado e aparência inocente, para quem assim quiser.

Thamyê Baseggio (17), modelo, comprou suas pulseiras em São Paulo, em novembro do ano passado. Ela já tinha visto muitas meninas usando o acessório em várias ocasiões e achava bonito. Procurou aqui na cidade, mas não havia encontrado. Para ela, o significado das cores é ignorado. “Eu sei que são conhecidas hoje em dia como pulseiras do sexo, mas esse contexto não me interessa, pois as uso como acessórios simplesmente”, afirma.

Assim com a jovem, muitos outros adolescentes e até crianças usam os braceletes como complemento do seu visual ou apenas por que “são legais”. Segundo Thamyê, quem faz as regras é quem as usa. A modelo, por exemplo, comprou quase todas as cores, e as combina com suas roupas, no dia a dia, independente de “modismos”.

As pulseiras foram erotizadas na Inglaterra. A moda chegou ao Brasil no ano passado, juntamente com seu modo de usar. Se o menino ou a menina arrebentar a pulseira de determinada cor, obrigaria o portador da pulseira a se submeter ao ato correspondente àquela coloração. Pulseira amarela, por exemplo, equivaleria a um abraço. Pulseira preta, a sexo.

O estudante secundarista, Guilherme Monfroi (15), também utiliza as pulseiras. Ele, ao contrário da amiga Thamyê, sabe o significado de todas as cores. A roxa, por exemplo, quer dizer beijo com direito a sexo. Ele conheceu os códigos depois de ler na internet sobre o assunto, mas também usa os braceletes como acessório para complementar seu vestuário. “Eu acho bonitas as cores dos braceletes e só busquei conhecer o que remete cada cor por curiosidade”, diz o jovem.

Não se sabe como surgiu esse código nem como ele se espalhou entre os adolescentes. Na Inglaterra, as pulseirinhas ganharam o nome de shag bands (algo como “pulseiras da transa”). Lá também surgiu o jogo chamado “snap” (estouro, na tradução do inglês) e o dicionário de cores. Não demorou muito para a novidade se espalhar pela internet e chegar ao Brasil. Redes sociais como Orkut e Facebook têm comunidades dedicadas aos fãs das pulseiras. E muitos jovens no Mundo usam shag bands como disfarce de suas intenções sexuais frente aos adultos ou pais.

Pulseirinhas têm grande procura em Videira

O estudante Bruno César Lima (15) segue a moda das pulseirinhas, mas não pratica os códigos das cores. Ele as usa por estilo, como seus colegas de colégio. O menino tem conhecimento do código das cores, mas afirma que não as segue. “Nunca estourei uma pulseira e também nunca vi ninguém fazer isso entre meus amigos. Acredito que se acontecer será de brincadeira”, comenta o jovem, que é filho da dona de uma loja de bijuterias e acessórios na XV de Novembro. “Muita gente estava pedindo pra ela as pulseirinhas, principalmente agora para o carnaval. Ela já aproveitou e trouxe para mim também”. Bruno tem quase todas as cores e junto com seus amigos e colegas de colégio, também as usa.

Em outra loja de acessórios, na Pedro Andreazza, os braceletes começaram a ser vendidos no final do ano passado. As vendedoras contam que o auge foi entre final de novembro e início de dezembro, quando surgiu a moda aqui em Videira. No último mês do ano, a procura foi intensa e começaram a encomendar mais unidades, devido a grande procura. Elas acreditam que com a volta às aulas, volte o “boom” pelo adereço.

Nesta loja, cada embalagem vem com 20 pulseirinhas, de uma só cor e são vendidas a R$ 1. A procura é diversificada: meninos, meninas e mães que atendem ao pedido das crianças. Maria Bernadete Veiga comprou dois pacotinhos para o filho de 10 anos, Lucas Hiago. Ela comprou o acessório sem saber dos códigos, mas não percebe maldade no uso dos braceletes coloridos. “Hoje, as pessoas estão mais abertas e acabam desenvolvendo menos pré-conceitos. Eu, por exemplo, não vejo maldade em crianças e jovens com essas pulseirinhas. Depois, o Lucas já recebe orientação sobre sexualidade na escola desde a 3ª série, e ainda assim mantém a inocência. A maldade está na cabeça das pessoas”, diz Bernadete ao saber sobre as shag bands.


FOTO: Bruno pediu para a mãe lhe trazer as pulseiras

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